Arquitetura Empresarial no Contexto BPM

Introdução

O conceito de Arquitetura se remonta há mais de sete mil anos atrás, se considerarmos a partir da construção das pirâmides do Egito. Dentre os tratados mais conhecidos sobre arquitetura, se remota há dois mil anos atrás. Pollio (80-100 a.C) definiu a arquitetura como sendo “O conhecimento de muitas disciplinas, e vários treinamentos. As obras que dão origem à prática e à teoria. A prática é o exercício contínuo e regular do trabalho onde o trabalho manual de qualquer espécie pode ser realizado e aperfeiçoado a partir de um desenho. Por outro lado, a teoria é a habilidade de explicar, mostrar e demonstrar os produtos baseados nos princípios e proporções”.

Marcus V. M. Pollio escreveu a sua obra “Os 10 livros da Arquitetura” onde descreveu, entre outros, os princípios de arquitetura: Estabilidade, Empregabilidade, Simetria, Charme beleza e Proporção.

Estes princípios deveriam ser seguindo de acordo com o que fosse ser construído. Princípios prevalecem até hoje, embora vemos algumas obras que não representem estes princípios ao desconsiderarem as proporções e simetrias.

O que é uma Arquitetura?

O conceito de arquitetura está relacionado com qualquer tipo de obra: pontes, barcos, estradas, monumentos, edifícios e não somente construções físicas como também abstratas tipo organizações, aplicações e sistemas de softwares.

A arquitetura se refere a um todo estrutural. Se trata mais que um detalhe nas relações entre as partes em torno de um complexo. Os sistemas organizacionais são complexos e geralmente dinâmicos, ou seja, eles estão sujeitos a mudanças de requisitos, melhoria e atualização constantes.

O Que é uma Arquitetura Empresarial?

É um conjunto de modelos e suas relações que descreve a empresa como uma estrutura harmônica, documenta o estado atual da organização, o estado desejado e a lacuna entre os dois estados. Sua principal funcionalidade é prover os fundamentos para uma maior agilidade e controle da gestão das mudanças na empresa (HITPASS, 2012).

Com o objetivo de sintetizar a complexidade de um sistema organizacional é necessário identificar e gerir os níveis e visões da arquitetura corporativa separadamente. Para conseguir a identificação das camadas de negócios, integração e aplicativos, é preciso desenhar e construir uma Arquitetura Empresarial que cumpra os seguintes requisitos:

Cada camada tem seus próprios objetivos e lógica.

  • Cada camada deve ser gerenciada separadamente, mas em harmonia com as outras.

Esta abordagem segue a tendência atual de desbloquear as aplicações monolíticas do passado, modernizando e integrando através de novos componentes de serviço e, assim, acelerando os processos de negócios, que é, em última análise, um dos principais objetivos perseguidos pelo Gerenciamento de Processos de Negócio (BPM).

Do ponto de vista estrutural, uma arquitetura de negócios é:

Um mapa de negócios e da organização;

  • A descrição dos objetivos do negócio;
  • Uma descrição dos processos da organização;
  • Uma descrição em um nível funcional dos serviços da organização;
  • A descrição das interfaces no nível macro dos sistemas da organização;
  • A descrição dos sistemas reais implementados; e
  • A descrição de seus produtos, serviços e mercados.

Roos et al (2006) afirmam que a Arquitetura Empresarial pode ser classificada como um instrumento de estratégia corporativa. Em geral o conceito de arquitetura empresarial apoia muitas disciplinas de gestão como gestão da qualidade, gestão de riscos e auditoria entre outras.

Motivadores e Objetivos de uma Arquitetura Empresarial

Segundo Zachman, as razões porque se justifica ou se faz necessário trabalhar com um conceito de Arquitetura Empresarial em uma organização são:

Levantar e construir modelos – Se a empresa existe, também existem os modelos. É necessário investir na construção dos modelos;

  1. A empresa é um sistema – A soma dos processos manuais e automatizados é a empresa. A Arquitetura Empresarial não é um problema técnico, é um problema empresarial;
  2. A realidade organizacional é a necessidade de estruturação – Todas as necessidades que requerem um bom funcionamento dos processos e sistemas são necessidades empresariais. Nada é mágico: A excelência se vai construindo paulatinamente. A tecnologia desempenha um papel importante na reestruturação.

Existe uma série de motivações, tanto internas quanto externas, que requerem nossa atenção.

Os principais motivadores internos são:

Necessidade de abstração – Todas as visões necessárias a uma empresa como estrutura organizacional, mapas de processos, produtos e serviços, arquitetura de serviços de software, infraestrutura de TI e outras necessidades, podem ser representadas em modelos descritivos. Ao dispor de visões abstratas e sintetizadas, facilita a comunicação e a coordenação com as pessoas envolvidas. Uma plataforma de arquitetura administra as versões destes modelos;

  1. Governança de BPM – A gestão corporativa orientada a processos melhora a comunicação, padroniza a forma de documentação e alimentação das mudanças, reduzindo a complexidade, melhorando a integridade dos dados e cria uma base de conhecimentos corporativo, integrando todas as camadas da organização;
  2. Tempo de mercado – O tempo de mercado pode ser definido com o tempo necessário para a introdução de um produto ou serviço no mercado desde a concepção até a disponibilidade para venda;
  3. Gestão de qualidade – Os modelos desenvolvidos numa arquitetura empresarial facilitam a comunicação e o entendimento comum sobre os requerimentos entre as camadas estratégicas, operações e tecnologia com as diferentes partes interessadas;

Por outro lado, temos os motivadores externos que são:

Globalização – A globalização está demandando maiores exigências, tanto das empresas privadas como das empresas públicas, na sua capacidade de reação frente às mudanças exigidas pelo mercado.

  1. Regulamentações – No mundo atual, cada vez mais integrado, as regulamentações são numerosas e consistentemente em mudanças. Para identificar as atividades nos processos influenciadas por regulamentações, podemos desenvolver visões especializadas em uma arquitetura empresarial na qual de relacionam as atividades de um processo e um subprocesso com as matérias de regulação.
  2. Relações externas – É importante para as organizações a coordenação e desenvolvimento das relações de negócio com o mundo externo de modo objetivo e formal. A padronização e a integração deve ser no interior o ao mundo externo da organização.
  3. Fusões e aquisições – Se duas empresas se fundem ou uma adquire outra na mesma área de negócio, é claro que também devem fundir e padronizar seus processos de negócio. Um desafio que pode durar anos até que esteja completo. Migrar sistemas e harmonizar processos de negócio constituem projetos complexos e alto risco. A arquitetura empresarial facilita a atender a realização destes projetos.

Conclusão

Dessa forma, a Arquitetura de Processos no contexto BPM visa responder algumas perguntas que tornam a estrutura empresarial mais clara e conhecida pelas partes envolvidas. Tabulando os processos existentes (em pelo menos dois níveis: cadeia de valor e processos), a padronização e organização fornece um caminho mais claro para a elaboração de estratégias empresariais, bem como torna possível a aplicação assertiva de tecnologias que facilitam as rotinas de trabalho.

Referências

HITPASS, B. Business Process Management. Fundamentos y Conceptos de Implementación, BPM Center, Santiago, 2012

POLLIO, M. De Architectvra. Liber Primus. Disponível em: <https://www.thelatinlibrary.com/vitruvius.html>. Acesso em: 06 de mar. 2021.

ROOS et al, J. Enterprise Arquitecture as Strategy, Harvard Business School Press, 2006.

ZACHMAN, J. (1999). A Framework for Information Systems Architecture. IBM Systems Journal. 38. 454-470. 10.1147/sj.382.0454.

ZACHMAN. J. Architecture is Architecture is Architecture. Disponível em: <https://www.zachman.com/resource/ea-articles/52-architecture-is-architecture-is-architecture-by-john-a-zachman>. Acesso em: 06 de mar. 2021.

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