Pontos de Atenção para a Implementação da Automação Robótica de Processos (RPA)

Com a popularização das plataformas de robotização de processos, conhecidas como RPA, muitas empresas estão recorrendo a essas ferramentas para aumentar a produtividade de suas equipes. É importante, entretanto, entendermos a extensão da aplicabilidade dessa tecnologia e as situações onde outras abordagens sejam mais adequadas, complementando e aprimorando o trabalho dos robôs.

Introdução

É comum que a popularização de uma tecnologia, principalmente quando envolve enormes ganhos de produtividade, torne-a uma espécie de coqueluche do mercado ou um tipo de bala de prata ou produto tabajara, capaz de solucionar todos os nossos problemas. Isso é o que, em parte, estamos vendo ocorrer com a Automação Robótica de Processos (RPA) e consideramos útil abordarmos os limites em que essa técnica pode não ser a mais adequada e ajudar na escolha da melhor alternativa.

Quando Aplicar RPA

O cenário mais comum que desperta para a necessidade de aplicação dessa tecnologia é bem conhecido: uma ou várias pessoas realizando atividades em sistemas, externos ou internos, web ou desktop, onde atividades são rotineiras, repetitivas, e requerem muita pouca capacidade analítica e dão muito, muito trabalho. Exemplos: baixar um PDF ou capturar as informações de um site (conta de luz, por exemplo), ler o conteúdo e lançar em um sistema interno de gestão.

A automação desses cenários tem reduzido drasticamente os custos de operação, bem como melhorado a própria satisfação dos funcionários, que passam a trabalhar em atividades de maior criatividade e exigência cognitiva.

Pontos de Atenção para a Utilização de RPA

Mas onde a robotização, isoladamente, pode ser insuficiente para resolver problemas de automação?

Uma primeira situação tem a ver exatamente com cognição e criatividade: atividades que envolvam decisões complexas ou subjetivas não são boas candidatas à robotização. O robô executa apropriadamente atividades onde existe um determinado padrão e a lógica no preenchimento das informações é direta ou depende de cálculos ou algoritmos simples. Elementos que exigem análise qualitativa, ética, e decisões subjetivas fogem da alçada do RPA. Em situações como essas, quando um processo contém uma mistura de atividades objetivas e subjetivas, é possível construir a automação a partir de uma plataforma DPA (Digital Process Automation) que “contrata” o robô para realizar as atividades objetivas e oferece formulários eletrônicos para capturar decisões e outras entradas para as atividades subjetivas ou não robotizáveis (uma assinatura de um documento legal, por exemplo) para uma pessoa preencher (DPA+RPA). Outra forma de tratar essa situação é a inclusão de formulários diretamente na plataforma RPA em um recurso que tem sido apelidado de “Human in the Loop” ou, numa tradução livre, humano no processo.

Outra limitação está relacionada a capacidades de coleta de dados. Em grande parte, precisamos que os robôs nos ajudem a pegar informações que estão dispersas em sistemas ou sites e que são necessárias para nossos processos. Quando falamos de informações estruturadas (um campo de formulário ou PDF padronizado, por exemplo), é quase certo que quaisquer das plataformas existentes no mercado será capaz de nos ajudar. Para informações não estruturadas como textos livres, imagens, documentos não padronizados, a questão é um pouco mais complexa. Precisamos de capacidades que vão além do RPA para resolver isso, incluindo reconhecimento de imagens e Machine Learning (ML),entrando no campo da Inteligência Artificial (IA) (RPA ou DPA + ML).

Além disso, mimetizar a interação humana em sistemas pode, em muitos casos, não ser a forma mais eficiente de realizar uma tarefa, embora seja a primeira que nos vem à mente. Caso existam mecanismos de integração implementados, tais como Web Services (WS) ou mesmo acesso direto a bancos de dados e arquivos (BD) que contenham as informações ou que realizem a tarefa desejada, esses podem ser mecanismos preferenciais quando o desempenho é um fator crítico a ser considerado: mimetizar um humano interagindo com um sistema pode ser centenas de vezes menos performático que a utilização de algum dos outros mecanismos citados (RPA ou DPA + WS ou BD).

Além desses pontos, poderíamos acrescentar como pontos de atenção na utilização de Bots (robôs):

  • Situações onde a integridade transacional precise ser garantida (faz tudo ou não faz). A robotização de uma transação que envolva várias telas não pode garantir que todas serão totalmente preenchidas imediatamente e de forma completa;
  • Situações envolvendo sistemas instáveis e em constante mudança. Nesses casos a robotização precisará ser revisada frequentemente para não deixar de funcionar.

A figura abaixo resume as diversas situações mencionadas e algumas das alternativas a serem consideradas:

Conclusão

A avaliação das alternativas de implementação é de fundamental importância na definição da arquitetura de uma solução de Automação. Essa avaliação deve levar em consideração outras tecnologias, que muitas vezes já fazem parte da nossa caixinha de ferramentas há décadas, no sentido de buscar o melhor caminho em termos de efetividade da solução.

Ler mais em DPA x RPA, um de nossos artigos.

Pontos de Atenção para a Implementação da Automação Robótica de Processos (RPA)

2 pensou em “Pontos de Atenção para a Implementação da Automação Robótica de Processos (RPA)

  1. Não há bala de prata, cabe ao especialista analisar os limiares de cada tecnologia e os pontos de convergência entre elas. Parabéns pelo artigo!

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